Reputação ou integridade?

José Egito

É claro que é possível administrar os dois simultaneamente.  Porém neste breve artigo, gostaria de explanar, segundo minha ótica, a diferença entre os dois.

 Reputação é o que todos acham de você, integridade é o que você é quando ninguém está olhando.

 Temos vários exemplos na História de pessoas que tiveram que optar entre reputação ou integridade. Empresários, políticos, líderes religiosos e cidadãos comuns tem de fazer essa escolha com certa freqüência.

Hoje, gostaria de citar o caso do segundo homem mais poderoso do Egito na época da dinastia faraônica. Ele se chamava Zafenate-Panéia (nome dado pelo próprio faraó) e era hebreu. Zafenate chegou ao Egito como escravo, passou por todo tipo de humilhação e privação. Suas emoções eram um profundo caos, foi traído e vendido pelos próprios irmãos. De filho preferido e bem cuidado, passou de um dia para o outro a experimentar os abismos da vida humana.

Porém, a história nos mostra que seus sentimentos negativos nunca o dominaram, suas emoções não eram seu comandante. Ele tinha a capacidade de ser notado positivamente onde quer que chegasse, mesmo sendo visto e recebido como escória.

Como pode reagirmos as injustiças do mundo com tamanha motivação?

Bem, como tudo que ele fazia era bem sucedido, um oficial de faraó o percebe e o compra como escravo pessoal. Ele continua sendo positivo e bom no que fazia. O comentário na corte era de que os “deuses” eram com José (nome de nascimento de Zafenate-Panéia).

O jovem escravo se torna administrador da casa de Potifar, oficial do governo egípcio. Como era de boa aparência e se destacava cada dia mais como empreendedor, a mulher deste oficial começa a seduzir Zafenate. As tentações eram diárias.

Um dia ela o interroga e exige esclarecimento do porque ele a resistia. Ele responde: “meu senhor me confiou tudo nesta casa, nem ele mesmo cancela as ordens que dou aqui dentro. A única coisa que me privou foi tocar em você, tendo em vista que és sua esposa. Como ousaria eu, trair a confiança de Potifar e atentar contra minha consciência e contra Deus?”

Espere aí, deixa eu ver se entendi. O jovem é escravo, sofreu de tudo na vida, foi traído pela família, vendido como um animal, suas emoções deveriam estar altamente desequilibradas, sua sede de vingança deveria estar aflorada, porém ele está preocupado em não ferir princípios de honra, morais e de sua fé em Deus?

Queridos leitores, é na crise que mostramos quem somos. Só é digno do poder, quem não negocia princípios para chegar nele.

Zafenate-Panéia tinha seus vinte e poucos anos e ainda que os hormônios estivessem à flor da pele continuou fugindo da mulher de seu amo.

Certo dia, ele chega na casa e percebe que está sozinho com ela. A senhora não perde tempo e ataca o rapaz. Sua vontade de seduzi-lo era tão grande que ela arranca o manto que os homens da época usavam para cobrir o corpo. Zafenate fica semi-nu.

Chega a hora da decisão e estamos falando de fração de segundos.

O jovem promissor pensa: “se eu me deito com ela, mantenho minha reputação de bom administrador e de jovem promissor, pois ela nada falará, justamente por ser casada. Afinal de contas eu era apenas um escravo sofrido e agora tenho casa, comida e certo nível de poder, como perder toda essa conquista? Mas se saio correndo semi-nu acabo com minha reputação pois ela contará a todos o que bem quiser e certamente voltarei à miséria e aos abusos em que vivia. Manterei minha integridade, aquilo que realmente sou, quando ninguém está me vendo”

Perdoem-me a sinceridade. Como se faz isso?

Como se escolhe ser íntegro se poderíamos manter uma boa reputação diante das pessoas e ainda desfrutar dos momentos de prazer ?

Amigos leitores, essa é a diferença de quem está apto para governar.

A integridade levou o jovem administrador para a cadeia. Que contraditório!

A senhora inventou que foi vítima de tentativa de estupro. Agora Zafenate tinha do que reclamar da vida, afinal estava preso injustamente.

Você pode ler toda essa história na Torah dos judeus (livro de Bereshit) ou na Bíblia católica ou protestante (livro de Genêsis) e verá que o jovem jamais reclamou da vida ou se fez de coitado. José detestava o coitadismo.

Na prisão, em pouco tempo se tornou líder dos carcereiros. Pois como já citei acima, onde ele chegava causava impressões positivas.

O drama acaba anos depois quando ele interpreta um sonho de faraó (ainda que encarcerado) e monta uma estratégia para administrar e governar o Egito em um tempo de abundância e em tempo de crise. A proposta foi tão revolucionária e sábia aos ouvidos do homem mais poderoso da época, que ele colocou Zafenate-Panéia como governador sobre todo o Egito. Deu-lhe o anel da realeza e autoridade sobre toda a terra.

De escravo a líder nacional. Esse é o poder da integridade. Quem sabe quem é e sabe para onde está indo, não se desespera ou reclama das contrariedades, mas sabe esperar o tempo de governo, seja em que área for.

A reputação é essencial na vida de um homem, portanto que ela não se oponha à integridade. Se um dia tiver que escolher, esteja certo que optarás pela decisão correta.

 Tiago Brunet

Twitter: @TiagoBrunet

Facebook.com/tiago.brunet

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s